quinta-feira, 6 de junho de 2013

A GRANDE FINAL - OS 04 MINICONTOS



É CHEGADO O GRANDE MOMENTO...

FORAM 747 INSCRITOS, DE TODO O BRASIL E DE VÁRIAS PARTES DO MUNDO...

MAIS DE UM MÊS DE COMPETIÇÃO...

A CADA SEMANA, UM NOVO DESAFIO...

NOVOS JURADOS, NOVAS CRÍTICAS...

CORTES DIFÍCEIS...

ANIMA BREVIS
(EQUIPE OS CONTIDOS)

CASTEL
(EQUIPE OS CONTIDOS)

RAMON RUFO
(EQUIPE RAPIDINHOS)

REGIS GUERRA
(EQUIPE INSÓLITOS)


QUEM SERÁ O GRANDE VENCEDOR?


APRESENTAMOS:

A GRANDE FINAL DO
I CONCURSO DE MINICONTOS AUTORES S/A



O Brasil é um celeiro de escritores talentosos. Do Norte ao Sul, despontam novos escritores todos os dias, revelando seus trabalhos em blogs, redes sociais, concursos, até chegar a tão sonhada publicação impressa. Mais de 700 brasileiros apostaram no I Concurso de Poesia Autores S/A e nós, organizadores e jurados, também apostamos em cada um, depositando confiança, incentivando, ensinando. E aprendendo, claro. E se surpreendendo.
Pra sobreviver nesse concurso, é preciso coragem. É preciso ser bom. E, aos que hoje figuram na Final, só podemos dizer: sim, meus caros, vocês são bons. Muito bons.
Temos um panorama interessante nesta Final: das 5 regiões brasileiras, 4 estão representadas: Sul (Regis Guerra), Sudeste (Castel), Centro-Oeste (Anima Brevis) e Nordeste (Ramon Rufo).
A guerra dos sexos permanece: há, entre os 4 guerreiros, uma única mulher. As escritoras, durante todo o concurso, foram minoria. Entretanto, será que esta estatística será posta abaixo com a vitória de uma mulher?
Em relação às equipes, a única que não está sendo representada, nesta Final, é a equipe da jurada Leila Míccolis (Max Minis). Contudo, ela participará da Final, julgando os quatro minicontos desta etapa.

Que tal, agora, relembrarmos as trajetórias de cada um dos finalistas? Todos os minicontos produzidos por eles, até aqui. Vamos nessa?


RETROSPECTIVA DE...


RAMON RUFO
(De Riachão do Jacuípe, Bahia. 24 anos de idade).


Título: Elo familiar

Depois do banho, pai e filha se sentiram mais sujos do que nunca.

Título: Flores

Era piloto de caça. Cortava os céus a mais de dois mil pés. Foi encontrado em casa, com os pés a dois metros do chão.

Título: Fiscal de Fronteira

Intrigado, decidiu investigar o rapaz que, todos os dias, atravessava a fronteira com um carrinho repleto de caixas de papelão. Foi inútil. Todas vazias.
Só descobriu o crime quatro anos depois: tráfico de caixas de papelão.

Título: Indício Oculto

         A casa estava vazia. Nenhum rastro do assassino. Mesmo assim, o detetive desconfiou do mordomo cego.


Título: Militante

Queria mudar o Brasil. Mas engajou-se numa causa sem efeito.

Título: Ultimato

“se eu te pegar com aquela vagabunda te mato”
Não faltou aviso. Faltou bateria.

Título: Sábado, duas da manhã

Continuou de olhos fitos na garota, que parecia retribuir-lhe o interesse, espantosamente. Por fim, deixou escapar um grito abafado, enquanto subiam os créditos.

Título: O azar é dos expulsos

Tivessem eles sido tagarelas e novas suspeitas seriam levantadas. Uma pequena fagulha era quanto bastaria para atear novo incêndio ao caráter genioso do dono do cassino. Preferiram, portanto, os dois trapaceiros, guardar silêncio a respeito da falha no caça-níquel.



RETROSPECTIVA DE...


ANIMA BREVIS
(De Brasília, Distrito Federal. 56 anos).


Título: Tudo fake, com “f” de f...
                          
Passou mal na quarta-feira de cinzas, agarrado às tetas fake de uma loira fake. Desmaiou na avenida, sobre poças de cerveja e mijo, aos gritos de “morreu, morreu!”. Só soube que ainda estava vivo quando abriu os olhos e viu simpáticos serafins e querubins mimosos dançando valsa ao seu redor. Sorriu feliz. Estava apenas desacordado. Se estivesse morto, haveria chifres, cascos, choro e ranger de dentes. E um cheiro terrível de enxofre. E um rock’n roll do cacete! Não, não era a morte. Era só um céu fake.

Título: Feriado

Sete de setembro. Aquartelados no morro, soldados sem farda traficam por independência ou morte. 

Título: Sua bênção, pai, mãe

Óleo sobre tela. Olhos sobre tela. E aqui estou eu, nas paredes entulhadas da nossa casa vazia, eternamente inesquecível em matizes de angústia. Tivessem observado, pai, mãe; tivessem mergulhado nos meus olhos oblíquos de desespero ou percebido o grito mudo dos meus lábios apertados e talvez não houvesse me alcançado a depressão dos bibelôs. E não estaria morando entre vocês, em vocês este remorso que não basta. Nem seríamos, eu e vocês, ângulos opostos pelo vértice da dor. Meus olhos fixos, frios, mortos não estariam aqui, testemunhando para sempre tantos passos de culpa. Estaríamos sentados à mesa ou na varanda fresca, entre paredes libertas de mim. E eu lhes pediria a bênção, pai, mãe.

Título: Automutilação

Lembrou as chagas do Cristo na procissão do Senhor Morto e entregou-se em frenesi ao fio da navalha.

Título: Você sabia?

Num bar, primeiro encontro, Pedro conversa com Mariana:
— Bonito dia, não?
— Com toda essa chuva?
— Você sabia que o monte Waialeale, no Havaí, é o lugar que mais chove no mundo? E é maravilhoso!
— Ah...
— E tem a Amazônia, também. Chove demais. A umidade do ar por lá é uma coisa de louco! E a Amazônia é linda, você sabia?
— Ah...
— Chuva é bom pra tudo. Você sabia que até acalma gente com transtorno mental?
— Ah...
Em casa, ao fim do primeiro encontro, Pedro pensa: "Que mulher idiota!".  Mariana pensa: "Que homem idiota!". Pouco antes de rolar um sexo selvagem. Maravilhoso. Lindo. E em silêncio.
Sexo acalma mais que chuva. Você sabia?

Título: Acabou

Pedro, acabou faz uma hora. Deu tudo certo. Não tem mais nada dentro de mim. A única coisa que nos une de agora em diante é este vermelho nas nossas mãos.
                                                                                              17h32, 20 dez


Título: Fonte dos desejos

Na Fontana Di Trevi, jogou uma moeda por cima do ombro esquerdo, esticando com vírgulas, em tom de deboche, um pedido-mantra: "Que eu fique eternamente jovem, que meu peso nunca aumente, que meus seios jamais caiam.". Amanheceu manequim.

Título: Politicamente incorreto

No balcão do bar, cheio de si, gabou-se para os amigos: "Comi duas pretas de uma vez só.". Mal falou, foi imediatamente chamado de racista e de machista pelas duas moças ao seu lado, que se afastaram, indignadas. Nem teve tempo de concluir: "E venci o jogo fazendo mais uma dama.".


RETROSPECTIVA DE...


REGIS GUERRA
(De Curitiba, Paraná. 31 anos de idade).

Título: A amazona

A guerreira persegue um jovem pela campina. Ele tropeça em uma pedra e se estatela no chão. Ela salta da montaria e aperta seu pequeno pé sobre o peito do rapaz. A vulva é desvelada. Ela monta, agora, em sua presa e cavalga com violência. Saciada, ela retorna à aldeia. O gozo escorrendo pelas coxas. Do mancebo, pela garganta, escorre um gozo outro – rubro. A beldade e sua natureza bélica.

Título: A Sanfona

         O menino ganhou uma sanfona, presente de seu pai. Um dia, ele esqueceu o objeto, tão querido, no quintal. Pela manhã, o instrumento coberto pela geada – velado e gelado. Fole e gelo comungaram, sim-fonia e não-fonia mesclaram-se. Depois disso, a voz do instrumento ficou mais triste e cortante. O fôlego do fole parecia ser capaz de fazer o minuano soprar mesmo fora de época. Já não era mais sanfona, pois perdeu o que tinha de sã nas núpcias entre som e clima.

Título: O bastardo

Há trinta anos, uma palmada o fez chorar. E respirou pela primeira vez.  
Há trinta anos, uma mulher, em coma, deu à luz um menino.
Há trinta anos, um criminoso anônimo. Um pai que se ignora.
Há trinta anos, o menino chora.

Título: Masturbautor

         Eu faço questão de escrever tudo manuscrito. Adoro os tentáculos da mão envolvendo meus textículos.

Título: Ornito(oníro)fobia

Soltou o canarinho no quarto assombrado. Afugentou os espantalhos de seus sonhos.

Título: Ilha Deserta

Estou SÓ e sem SOS. Essa prece, parece, é meu último SMS.

Título: Visita

Um dia, Deus decidiu baixar na terra. Esperava que sua aparição arejasse a empoeirada alma humana. Para demonstrar predileção pelos mais simples, decidiu que sua chegada seria no pequeno município de Avejão.
Os céus se abrindo, luz dourada, trombetas de anjos - Deus usou todos os clichês para que as pessoas o reconhecessem imediatamente. Ao chegar, entrou na primeira construção que avistou – uma repartição pública. Entrou flutuando, envolto em luzes. Convocou as pessoas. Outra vez os clichês: sua voz, seguida de raios e trovões, fez a sala tremer. Em vão. Havia apenas um homem ao canto que não deixou de pitar seu cigarro e bebericar seu café. Indignado, Deus indagou: “Não temes diante de minha sagrada presença?”. O homem deu mais uma tragada em seu cigarro, bebericou outro gole do copo plástico e respondeu: “Lamento senhor, aqui nada é mais sagrado do que a hora do cafezinho”.   

Título: Cabaré

Roubou nas cartas, acabou no xadrez. Nem viu as damas.


RETROSPECTIVA DE...


CASTEL
(De Maricá, Rio de Janeiro. 31 anos de idade).

Título: Entradas e saídas

Entrei no bar. Troca de olhares, beijinho no rosto. Saímos do bar. Entramos no táxi. Carícias, beijo na boca. Saímos do táxi. Entramos no motel. Nudez, mão no sexo, flacidez, risada, escárnio, piada, empurrão, chute nas costas, soco na cara, gritos. Saímos do motel. Entrou na ambulância. Entrei na viatura policial.

Título: O Abraço

Desconheciam-se até aquele dia. E, no entanto, quando os bombeiros finalmente abriram a porta do elevador acidentado, encontravam-se agarrados num fraternal abraço retorcido de seus corpos ensanguentados.

Título: Uma Mulher Dividida 

Imaginava-se dançando para uma grande plateia num palco imponente. Assim desligava a cabeça enquanto seu corpo era tocado e subjugado por estranhos em quartos de motéis sujos ou no interior de automóveis estacionados em ruas de pouco movimento. Enxergando-se na bailarina de sua fantasia, escapava da miséria de sua vida. Dividida entre o inferno em seu corpo e o paraíso em sua mente.

Título: Todas as Letras

Em dezessete anos foram dos bilhetes apaixonados em sala de aula à papelada do divórcio no tribunal.

Título: Faro Jornalístico

Escreveu para o site de fofocas reclamando que o mesmo estava o dia todo sem atualizações e que, se não fizessem algo a respeito, nunca mais voltaria lá. Três minutos depois, uma nova manchete surgiu no site: “Leitora revoltada ameaça nos abandonar”.

Título: Fora da História

“Funcionou. Estou no futuro!”, dizia a mensagem no telefone celular que tive que destruir em seguida. E, silenciosamente, comemorei aquela grandiosa — porém incógnita — conquista científica.

Título: Vendido

No dia em que decidiu vender a loja de roupas abraçou a manequim que estava lá havia quinze anos e chorou em seu ombro. Ela não tinha vida, mas ele tinha uma vida com ela.

Título: Mais e Mais

Perdeu tudo jogando no cassino. Tudo, menos a vontade de continuar jogando.


MINICONTOS DA GRANDE FINAL (TEMA LIVRE)


Pseudônimo: Anima Brevis
Título: Vestida para matar

No closet, separou seus números prediletos. Armani n° 36, Louboutin nº 38, Chanel nº 5, Taurus calibre 22.

Pseudônimo: Castel 
Título: Natimorto

Apertou o pequenino cão contra o peito, como se faz com um bicho de pelúcia. Porque o cão, como um bicho de pelúcia, não tinha qualquer sinal de vida.

Pseudônimo: Ramon Rufo
Título: Mofina Mendes

Casou-se com um ricaço que lhe tirou das ruas.
Um automóvel invadiu a calçada.

Pseudônimo: Regis Guerra
Título: Viúva ao revés

Rejeitado pelo diabo: “Cumpriste a pena em vida, meu caro”. Voltou de mala e cuia pra casa da diaba.

Vamos relembrar as biografias dos nossos 04 grandes finalistas?

CASTEL

Moro em Maricá, Rio de Janeiro. Me inscrevi no concurso porque costumo participar de concursos literários e, recentemente, passei a me aventuras nos minicontos. Foi a oportunidade ideal para testá-los. Meu pseudônimo vem de “Juan Pablo Castel”, protagonista do romance “O Túnel”, de Ernesto Sabato. Gosto do fato dele ser só um nome próprio e não algo que aponte para um ou outro gênero. “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger, foi um livro muito importante na minha juventude. Um livro que terminei de ler há pouco tempo e gostei muito foi “Uma Confraria de Tolos” de John Kennedy Toole. Nunca escrevi um livro. Já escrevi uma quantidade de contos que poderiam ser reunidos numa publicação, mas nem acho que eles têm qualidade para tal. Existem contos meus em nove antologias diferentes, quase todas frutos de concursos literários. Sou Auxiliar Administrativo. Tirando a escrita, no campo artístico, sou péssimo em tudo. A menos que considerem comer muito uma arte. Sobre inspiração para a escrita, não dá para ser muito específico nessa resposta. Pode ser algo muito sério e pessoal ou uma besteira qualquer, tudo pode servir de gatilho para a escrita. Minha meta como escritor: quero o Prêmio Nobel, o Jabuti e o Camões. E quero agora! Estou brincando. Na verdade, se eu terminar de escrever todos os episódios de uma Web Série que estou planejando publicar em breve já está ótimo. Não sei responder se mereço ganhar. Não me acho melhor do que ninguém. Mas espero que os jurados achem! 

ANIMA BREVIS

Moro no Distrito Federal, Brasília. Me inscrevi neste concurso porque queria experimentar neste gênero. A escolha do pseudônimo - Anima brevis -, alma breve, ou mente breve, foi uma forma que encontrei de me referir à história de um miniconto. Breve, mas com alma, com mente. Nossa... Livros da minha vida seria mais apropriado, bem no plural. Mas eu tenho uma relação especial com Machado, com Drummond e com Clarice, em mais de uma obra. Dentre os estrangeiros, criei uma ligação especial com o livro “Como Água para Chocolate”, depois que o li em espanhol — creio que é por isso que algumas pessoas dizem que um livro sempre perde ao ser traduzido. Mia Couto tem me ocupado bem a leitura, também. Já escrevi dois livros: um de contos, um de crônicas. Participo de quatro antologias: duas de poesia, duas de contos. Trabalho com Relações Públicas, que é uma das áreas da Comunicação (embora tenha muita gente sem a formação superior usando esse nome quando atua como recepcionista, promotores e afins). Além de escrever, não desenvolvo nada, nada na área artística. Gostaria de ter mais dons, mas não tenho. Estudei sete anos de piano clássico e não toco mais nada. Só mantive o ouvido apurado para afinações ou desafinações. Eu costumo ler textos em saraus e sou boa de interpretação até, mas não chamo isso de "outra coisa no campo artístico" (é que já fiz teatro e declamação, quando era adolescente, mas não faço mais). Tudo me inspira a escrever. Gente, planta, bicho, nuvem, lua, dor, injustiça. Qualquer coisa pode ser material pra texto. Inspiração? Tenho. Mas acredito muito em transpiração, igualmente. Trabalho um texto, às vezes, para que fique menor, maior, menos pesado, mais intenso, mais culto, mais coloquial. Minha meta como escritora: ser lida por muita gente. Ganhar reconhecimento nacional. Escrever cada vez melhor.
Todo o mundo que entra num concurso entra para competir e tentar vencer. Eu estou buscando fazer o melhor que posso. Fazendo o melhor, mereço vencer. Mas não é o que merecemos todos os que estamos tentando?

RAMON RUFO

Moro em Riachão do Jacuípe, Bahia. Inscrevi-me no Concurso pelo prazer do desafio e por gostar deste gênero textual. O pseudônimo, além de ser sonoramente bonito, é uma homenagem a dois autores: o “Ramón” de Juan Ramón Jiménez (Nobel de literatura), e “Rufo”, de Juan Rulfo (com L). O livro da minha vida é “Todos os Fogos o Fogo” do argentino Júlio Cortázar e o atual de cabeceira é “O longo adeus” de Raymond Chandler, que, aliás, está comigo via empréstimo, preciso terminá-lo o quanto antes. Já escrevi quatro livros, três publicados e um no prelo, e participo de três antologias. Sou professor, escritor e faço vídeos de humor nos fins de semana (em parceria), os quais são publicados num canal específico do Youtube. A inspiração pode vir de todo lugar e de lugar nenhum. De tudo e de nada, principalmente “do nada”. Quando inspirado, costumo escrever sobre o cotidiano, sobre coisas que eu observo, ou finjo observar. Talvez aí resida o grande desafio deste concurso: criar minicontos dentro de propostas específicas. A minha meta como escritor é ser um bom escritor. Parece simplório, mas escrever bem é uma das tarefas mais dificultosas que existe. Por vezes, as ideias estão todas lá, nos sorrindo como uma menina na janela, e simplesmente não tomam forma, escapam por entre os dedos. Venho escrevendo minicontos há quatro anos e acredito que a experiência no gênero me dê uma leve vantagem no I Concurso de Minicontos Autores S/A.

REGIS GUERRA

Moro em Curitiba, Paraná. Inscrevi-me nesse concurso porque costumo escrever textos breves e achei que seria uma boa oportunidade para por a prova a qualidade do que produzo. Escolhi este pseudônimo baseado em uma personagem que criei uma vez: Regina Guerra. Significa rainha guerra ou rainha da guerra. Acho que é um nome forte. Como precisava de um pseudônimo, lembrei desse nome e procurei fazer uma versão masculina. Um livro muito importante para mim é “A educação pela pedra”, de João Cabral de Melo Neto. É um patamar poético que invejo e trabalho para atingir esse nível de rebuscamento na forma e no conteúdo algum dia. Acredito que ainda estou longe. Mas, meu atual livro de cabeceira é “As cidades invisíveis” do Italo Calvino. Já escrevi um livro de poesias, publicado este ano. Por enquanto, é o único. No ano passado participei de uma antologia. Eu trabalho como musicoterapeuta em uma instituição que atende crianças e adolescentes em sofrimento psíquico. Também trabalho na encadernadora que pertence à minha família. Estudei música por alguns anos. E comecei a escrever para colocar letra em algumas melodias que criava. Cheguei até a compor peças instrumentais quando estava mais envolvido com o estudo de piano erudito e, em seguida, de violão popular. Mas a escrita tomou o lugar dessas outras práticas. Hoje só toco por hobby. Quando criança, escrevia por brincadeira. Meu pai corrigia os meus textos, isso despertou em mim uma autocrítica com relação à forma. Algo que eu procuro aperfeiçoar obsessivamente – reescrevo meus textos diversas vezes. Sou uma pessoa tímida e escrever me dá possibilidade para tentar comunicar aos outros minhas observações sobre esse mundo. Algo que, para mim, é mais difícil de fazer oralmente. Acho que é essa possibilidade, excluída da interação oral e em tempo real, de trabalhar e retrabalhar o texto antes de mostrar para alguém, que me impulsiona a continuar escrevendo. Acho que preciso compartilhar minhas observações com as pessoas. E a escrita me permite isso. Eu tenho o objetivo de, por meio da escrita, consolidar um público que me acompanhe, com o qual eu possa compartilhar as minhas produções. Um público que as aprecie. Fiquei muito feliz de estar entre os 48 escolhidos. E mais ainda de estar entre os 20. Isso já me diz que talvez meus textos tenham algum valor. Acho que posso vencer porque cheguei até aqui. Acho que devo, porque me dedico à escrita. Se não achasse nada disso, me inscrever no concurso seria um ato de futilidade.      

VOTO DO PÚBLICO

         Esta será a última oportunidade do público escolher o seu favorito! Vote em quem você acha que MERECE VENCER O CONCURSO. O mais votado receberá 0,5 pontos de bônus!
         Mas lembrem-se: votos válidos somente pela Conta do Google!
         A votação se encerra amanhã, sexta-feira, ao meio dia. Portanto, corram!


         AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, SERÁ PUBLICADO O RESULTADO OFICIAL DO I CONCURSO DE MINICONTOS AUTORES S/A. FIQUEM SUPER ATENTOS! QUEM VAI VENCER?

AUTORES S/A

PATROCÍNIO: EDITORA PENALUX / SELO MICROLUX

48 comentários:

Parabéns aos finalistas, excelentes textos!

Meu voto: Anima Brevis

Acompanhei, com certo distanciamento, os comentários da postagem anterior, mas agora, observando com calma o histórico dos finalistas, uma pergunta é inevitável:
- Que diabos o Ramon Rufo ta fazendo aqui?
O tema livre era a chance dos concorrentes mostrarem quem tem bala na agulha, quem tem farinha no saco. Sem as amarras de uma tema predefinido, bastava buscar em sua gaveta seu melhor trabalho, o mais elogiado, sua maior certeza. Aquele que voce diz "posso até nao escrever bem, mas nesse eu acertei a mão", no entanto só Anima Brevis conseguiu isso, e apresentou um dos melhores minicontos já escritos. Digno de figurar em qualquer antologia do gênero, o que certamente acontecerá numa proxima edição dos 100 minicontos brasileiros.

Meu voto é para Anima Brevis!!!
Perfeita contista!!

Meu voto é para Anima Brevis

Meu voto vai para REGIS GUERRA, meu conterrâneo, já que, sem ter nenhuma formação oficial na área literária e muito menos na produção de minicontos, demonstrou ao longo do concurso ter assimilado as recomendações dos jurados. Percebemos claramente uma evolução e inclinação para a arte da palavra. Como não se trata de descobrir nenhum especialista, mas autores com potencial, ele merece este lugarzinho ao sol.

Srta. Pupo arrotou durante todo o certamente sua preferência por alguem que nasceu em seu torrão, se ela/ele fosse austríaco(a) teria a mesma atenção por Hitler? Brigando, inclusive, com o senhor Felipe Neto Viana, quando na verdade ela possuía interesses pouco ligados a literatura, lamentável. Nota dez para o conto de Anima Brevis, vai ganhar facilmente a competição, por sua competência e nao porque nasceu em Curitiba.

Srta. Pupo está mais para a Srta. Puff, a professora da autoescola do Bob Esponja. Só sabe inchar e suspirar.

Pupo, tenha coerência e mude seu voto. Vote no melhor.

O sr. Anônimo deveria se preocupar em escolher o seu candidato, assumindo honrosamente sua real identidade, ao invés de atacar o direito de escolha dos demais.
Quem não mostra a cara e uma credencial, não merece atenção.

Esse 0,5 pto nao servirá de nada
para o candidato curitibano (quanta honra),
apenas pq o texto dele/dela é fraco.

O anonimato é uma escolha, merece ser respeitada tb.

Puuuupooooooooo...

Tem até guerra no pseudônimo, devem ser descendentes de austríacos/alemães, ele/ela e seus votantes.

Nao da nem pra comparar com o conto da Anima Brevis, chega a ser covardia.

Este comentário foi removido pelo autor.

Prezado Sr. Anônimo:
Não fará diferença nem pare ele, nem para Anima Brevis.
Acredito que ambos ( e os demais participantes) merecem (em pé de igualdade), pois estiveram colocando à prova sua imagem e potencial criativo. Contudo, fazendo uso de minha liberdade de escolha, optei por RÉGIS GUERRA.
O senhor fique livre para votar em quem quiser, desde que mostre a cara e não ofenda ninguém.

Um abraço

Olá, amigos!

O escritor Dante Pincelli, O Velho, relatou que não está conseguindo realizar o seu voto no blog. Logo, a pedido dele, viemos aqui realizar o seu voto. Ele vota em RAMON RUFO.

Agradecemos pela compreensão de todos.

Autores S/A

voto na Anima Brevis. Rosana Banharoli

Meu voto nao esta sendo registrado,
anima brevis.

Pela retrospectiva, fico com Castel. Gostaria que meu voto valesse, mas não sei como acessar a tal conta do Google. Aiás, parece que nenhum perfil selecionado vai dar certo - talvez anônimo?! Ester (ex Mignone).

Poxa,mas o Regis tem é amigos, viu?!
Mas como ja disseram, esse meio ponto de nada valerá.
Anima Brevis cometeu o melhor miniconto do torneio,
e é ele que será avaliado.

meu voto vai para MOFINA MENDES

Anima Brevis é apenas jogo de palavras
Castel razoável
Ramon Rufo sempre com humor sem graça, fraquinho
Regis Guerra é o melhorzinho

Acho que todos eles já fizeram melhores durante o concurso. Aliás o ramon está aí graças a um único conto bom, o primeirão.
FNV

Boa noite,

Antes de deixar o meu parecer final, quero demonstrar a minha completa indignação a respeito da apelação que existe aqui. Não me refiro ao comentário anterior que, de tão ordinário, se faz óbvio que não me pertence. Agradeço ao anônimo que, secretamente, alimenta um sentimento de admiração pela minha pessoa e assina com minhas iniciais. Chega a ser tietagem, mas vá lá.

Críticos de meia-tigela, bairrismo, parentes ensandecidos, provocações inconsistentes: é o que temos neste espaço. A leva não merece essa chuva de ignorantes virtuais.

Meu total interesse é a literatura, seja de quem for. Como já disse noutro espaço, não me importa o Lattes, ou formato das fezes do indivíduo: me importa a escrita. Por mais incrível que possa parecer (e não estou dopado de Rivotril), esta foi a leva que mais apreciei. Com exceção de um miniconto, os demais conseguiram alcançar o clímax do certame.

Não compreendo o tanto de elogios a Regis Guerra aliás eu sei: bairrismo e parentesco. O miniconto do autor foi, de longe, o mais fraco da leva. Chegou a final respirando através de aparelhos, embora tenha sido bem sucedido na leva anterior. Eis que, no momento decisivo, dá seu último suspiro. O título já me desagrada. O tema escolhido, uma piada insossa, com um toque machista. Não gosto disso. Regis não levanta o caneco.

Em Ramon Rufo presenciei uma reação espetacular. O miniconto é inteligente, possui intertextualidade com a sátira portuguesa, e dá margem à reflexão do leitor. Ele concede ao leitor um adjetivo que muitos autores sublimam, ou não sabem como fazê-lo: inteligente. Leitor que se preze odeia ser tratado como analfabeto funcional, odeia didaticismos. E Ramon Rufo chega forte, silenciando os bocós de plantão.

Outro que muito me agradou: Anima Brevis. Se este miniconto tivesse sido um pouco mais lapidado, beiraria a perfeição no gênero. O título condiz com o espírito do autor: aguerrido. Anima Brevis veio vestido a caráter, apertou o gatilho. Se vai acertar o alvo, não sei.

Castel é, definitivamente, o autor mais regular do certame. Regularidade não é sinônimo de fraqueza. Ao contrário disso, o autor que disputa um certame tal como este carece de um nível linear, qualitativamente. O poder que o autor tem de provocar a reflexão por meio de um texto tão simples é o que o torna favorito na competição.

Não obstante minha última observação, hoje eu vou escolher aquele que melhor assimilou minha crítica na última leva: Ramon Rufo. Soube chegar com força e não será surpresa, de minha parte, presenciar sua vitória no minuto final.

Aqueles que se sentirem incomodados com o meu gabaritado parecer, por favor, acomodem-se e reflitam sobre o quão lamentável é não ter a capacidade de saber discernir entre elo familiar de elo literário. Eu sou um crítico literário. Um indivíduo que se presta a criticar o outro deveria ter o mínimo de bom senso e ética antes de discorrer seus pareceres publicamente.

Estou à disposição, senhores. Aproveitem: sou o melhor 0800 que existe.

Cordialmente,
F.N.V.

Felipe Neto Viana
tu bem sabes que és sacana
se o Pupo fosse Ana
levarias para a cama

Excelentes finalistas! Grandes escritores de microtextos. Parabéns aos quatro!

Considero "Elo familiar" um dos melhores microcontos que já li e o melhor desse desafio. O Ramon Rufo é um mestre na arte da síntese.

Considerando o "conjunto da obra", meu voto vai para a Anima Brevis, que é a excelência em pessoa qdo se trata da arte da escrita.

O melhor da final: RAMON RUFO!

Vim pensando que daria Castel, mas não. Acho que o Rufo leva. E que rufem os tambores!

Carlos Brenner.





Retificando: voto em Ramon Rufo.

Meu voto vai para Castel sem dúvida o melhor de todos. Só miniconto lindo.

Bené.

Com certeza, RAMON RUFO. Ele é certeiro!

Todos possuem meritos, mas meu voto vai para ANIMA BREVIS.

Meu voto vai para Anima Brevis. Incomparável.

Qse chorei com o miniconto do Castel, mas o conto do Regis Guerra tá bem engraçado :)

Voto em Regis Guerra!

Lua, SP.

"Um indivíduo que se presta a criticar o outro deveria ter o mínimo de bom senso e ética antes de discorrer seus pareceres publicamente."

Na teoria excelente, F.N.V. Agora coloque em prática.

Meu voto vai para REGIS GUERRA. Disse uma verdade em seu miniconto! Discordo do tom machista falado pelo tal do FNV. Litertura não tem dessas coisas não, meu.

VOTAÇÃO ENCERRADA!

Tivemos uma grande disputa nesta enquete popular. Para quem foi o 0,5 pontos de bônus? Veja, abaixo, o ranking:

1º REGIS GUERRA - 12 VOTOS
2º ANIMA BREVIS - 11 VOTOS
3º RAMON RUFO - 05 VOTOS
4º CASTEL - 02 VOTOS

ATENÇÃO: Nenhum voto em ANÔNIMO ou somente identificado pelo NOME foi validado.

SENDO ASSIM, O AUTOR REGIS GUERRA FATURA 0,5 PONTOS DE BÔNUS NA GRANDE FINAL. EM BREVE, LANÇAREMOS UM NOVO POST, COM OS RESULTADOS DOS JURADOS E A DEFINIÇÃO DO VENCEDOR. FIQUEM LIGADOS! PARABÉNS A TODOS!

Autores S/A

Meu nome é Francisco Nogueira Vasconcelos, que petulância do 0800.

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